A CIDADE DE LUXOR EM UM DIA E MEIO-PARTE 2

Um passeio pelo Vale dos Reis, Templo mortuário de Hatshepust e Complexo de Kanark.

Saindo da fábrica de alabastros, fui direto para o Colossos de Mêmnon, que nada mais são do que duas estátuas gigantes de Amenófis III, que guardavam o templo fúnebre desse poderoso Faraó, que, no entanto, hoje, já não existe mais devido as inúmeras inundações do Nilo e também ao fato de que muitas de suas pedras foram utilizadas em outras construções, situação muito comum no Egito.
Após uma parada rápida para fotos, cheguei ao tão aguardado Vale dos Reis.
Em resumo, para evitar os saques dos túmulos, já que os faraós eram enterrados com muitos objetos valiosos, além da inviolabilidade do próprio corpo, rompeu-se a tradição milenar de construir pirâmides, e se passou a fazer tumbas dentro das cavernas no deserto. Deste modo, visava-se dificultar o acesso dos ladrões ao local, como também proteger o faraó ou outro membro da família real que fosse enterrado ali.
Historicamente, apesar das tumbas não ficarem resguardadas totalmente da ação dos mercenários, a ideia vingou entre os faraós que acabaram migrando para esse novo modelo. Assim, se criou uma grande necrópole em Luxor, que mais tarde virou o famoso Vale dos Reis.
Apesar das constantes violações dos túmulos, de forma aleatória, em 1922 a tumba de Tutancâmon foi descoberta completamente lacrada e intacta, o que simboliza até hoje uma das maiores descobertas arqueológicas. Apesar da maioria dos tesouros do Rei Tut estarem em uma sala no Museu do Cairo, a múmia do faraó adolescente se encontra na KV 62, no Vale dos Reis, juntamente com os dois sarcófagos de ouro e pedras preciosas onde o corpo fora achado mumificado. Pode ser visitada, desde que se compre um ingresso adicional na bilheteria.
O ingresso normal do Vale dos Reis te oportuniza conhecer 03 (três) tumbas a sua escolha. Eu confesso que conheci as que o meu guia indicou serem as mais bonitas, e que estavam muito preservadas nas cores, bem como alguns artefatos, foram elas: KV 2- Ramsés IV, KV 8- Merenptah e KV 11- Ramsés III. Mas, você pode dar uma pesquisada antes e já separar as que você deseja conhecer.
Um ponto importante a ressaltar é que o acesso a algumas tumbas é um pouco íngreme, mas é seguro. Como eu fui no inverno, não tive problemas com a temperatura ou com o horário para o passeio. Mas, quem vai no verão, o recomendado é que faça o passeio logo cedo em razão do calor insuportável.

Quase no fim da manhã, visitei o templo mortuário da rainha Hatshepsut (não me peçam nunca para falar o nome dessa mulher em voz alta, hahaha), considerada a primeira rainha- faraó do Egito. Filha do faraó Tutmes I, “Hats” não era a herdeira do trono, pois este era passado somente aos descendentes do sexo masculino.
Ainda assim, Hatshepsut se casou com o irmão menor, Tutmés II, e depois que o marido (e também meio irmão) faleceu, o herdeiro do trono seria Tutmés III (ô povo para gostar de repetir nome, misericórdia), filho do Faraó Tutmes II com uma concubina. No entanto, como este era uma criança, Hatshepsut assumiu o trono até que Tutmés III atingisse a maior idade. Assim, tornou-se a primeira rainha-faraó do Egito e o governou de forma prospera durante quase 22 (vinte e dois) anos.
Particularmente, eu esperava um pouco mais do interior do templo, haja vista a imponência externa da construção. No entanto, o espaço interno aberto aos turistas, muito embora ainda concentre algumas cores originais do templo (o que é lindo), é minúsculo, o que me deixou um pouco frustrada. Ainda assim, só pela história de astúcia e fortaleza dessa mulher, vale a pena a honraria de visitá-lo.
Uma das coisas mais legais desse tour é lembrar que a maior parte desses grandes reis e rainhas do passado estão expostos lá na sala das múmias, dentro do Museu do Cairo.
Continuando a corrida para ver o máximo de atrações possíveis, apenas fiz uma parada rápida no hotel para fazer check out, e já me dirigi até a última atração do dia: o Templo de Karnak.

O templo de Kanark fica a 03 km ao norte do templo de Luxor, sendo que na Antiguidade até existia uma avenida com várias esfinges com cabeças de carneiros que interligavam os tempos e iam até o rio Nilo. As esfinges com cabeça de carneiro simbolizavam o deus Amon- Rá, divindade cultuada na época. Atualmente, da antiga avenida existem apenas 40 (quarenta) esfinges logo na entrada do templo, além de algumas esfinges que também existem no templo de Luxor.
Como todos os outros locais que visitei, Karnak estava lotado de turistas de todos os cantos possíveis, inclusive do próprio Egito. Trata-se de um templo majestoso, e essa característica não é apenas pelo fato de Karnak ser o maior templo do Egito, é inegável que ele tem uma energia diferente.
Principal centro religioso do Egito até o reinado de Akhenaton, o complexo de Karnak foi construído por diversos Faraós, dentre eles Hatsepsut, Seti I, Ramsés II e Ramsés III. Com certeza o que mais captura nossa atenção é o grande Salão Hipostilo (ou Sala Hipóstila), área que possui 5.000 (cinco mil) metros quadrados, e contém 134 (cento e trinta e quatro) colunas de 23 (vinte e três) metros cada. Juro que no primeiro momento só fiz rezar para que aquilo não resolvesse desmoronar no efeito dominó durante o meu passeio.
Apesar do medo bobo, relaxei e fui conferir as outras atrações do complexo, com direito a jogar pedrinha virada de costas para o lago sagrado, como também para dar as minhas três voltas em torno do monumento do escaravelho de granito. Sim, existe uma lenda local que se você der três voltas em torno do escaravelho gigante (tudo é gigante no tempo de Karnak, chega ser redundante isso), pode fazer três pedidos (um em cada volta). Um dos pedidos que fiz, foi atendido pouco tempo depois. Quanto aos outros dois, confesso que não lembro mais o que eu pedi a Amón-Rá. Pelo sim, pelo não, cumpri a tradição dos turistas.
Já era fim de tarde quando sai de Karnak pra finalmente almoçar em um restaurante no mercado de Luxor. Confesso que estava tão esfomeada que mal prestei atenção nas atrações do mercado.
Depois de uma refeição tipicamente egípcia, era hora de dar adeus a Luxor. Comprei uma passagem de ônibus pela viação go bus para Hurghada, litoral do Egito, banhada pelo mar vermelho, viagem que durou cerca de 05h.
Arrependo-me de não ter dedicado um dia a mais para conhecer as atrações da cidade com um pouco mais de calma, além da oportunidade de conhecer outros templos e museus. Luxor é uma cidade que te deixa sem palavras a cada nova atração, e é um destino que eu espero repetir em breve.

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