EGITO: A PREPARAÇÃO, O TRAJETO E A CHEGADA.

Em outubro de 2018, depois de um ano conturbado na minha vida, decidi que faria minha primeira expedição internacional: iria para o Egito em janeiro de 2019, e iria sozinha.

Passei quase um mês entre emitir meu primeiro passaporte, averiguar o melhor período, melhor preço, melhor companhia aérea, até reunir coragem suficiente para comprar as passagens.
Com a ficha ainda caindo, cheguei ao meu escritório com o boleto pago nas mãos, e lembro das exatas palavras que usei com meus sócios: gente, agora é real. Eu vou para o Egito!
Começava ali, oficialmente, meu namoro com a terra de Tutankhamon.
Os ingredientes sugeriam um desastre total: meu inglês era péssimo e, obviamente, em árabe, eu sequer sabia dizer “oi”.
Com muita força de vontade, comprei duas gramáticas, baixei aplicativos e estudei inglês por dois meses sozinha. Sai do Brasil sabendo o básico para não passar vergonha, portava um mini dicionário na bolsa, e o aplicativo do google tradutor instalado no celular. Estava nas mãos de Deus, hahaha.
Como boa viajante, também tinha cópia de todos os meus documentos no e-mail, e uma pasta que levei comigo por toda viagem com tudo que achava que poderia precisar caso o pior acontecesse.
Ah, impossível esquecer os remédios! De vitamina C a antibiótico. Estava preparada para qualquer situação nas arábias.
Estudei sobre o Egito, sobre procedimentos, cultura, visto, que tipo de roupas levar no inverno, possíveis golpes em turistas... E quando escrevo isso, não quero dizer que lia somente sobre os pontos turísticos, ou sobre o roteiro que criei. Várias vezes no dia, eu verificava o site para acompanhar a cotação do dólar, abria sites de jornais internacionais para acompanhar o que acontecia naquele país que seria meu lar por 17 (dezessete) dias.
Eu lia sobre tudo, procurei guardar o máximo de informações que pude, fiz muitas anotações e recebi muitas dicas de outros viajantes. Sou tão grata por cada pessoa que sanou minhas dúvidas e respondeu minhas perguntas e e-mails. Criadores de conteúdo desse tipo fazem esse trabalho, sobretudo, por gostarem de auxiliar outros perdidos como eu. Rsrsrs.

Cheguei a Guarulhos na noite do dia 23 de janeiro de 2019, com uma mala de 21 (vinte e um) quilos e uma mochila com quase 8 (oito) quilos. Eu não me importava com o peso, mal sabia eu que ainda puxaria muito aquela mala pelas ruas empoeiradas do Egito.
Esperei quase para morrer de tanta ansiedade por quase 09 (nove) horas até o embarque. Na madrugada do dia 24 de janeiro, entrei pela primeira vez na área de embarque internacional do aeroporto de Guarulhos.
Confesso que chorava feito uma criança boba, sorrindo e deslumbrada diante de um mundo completamente inesperado que começara se abrir para mim. Eu já me sentia em outro país. E, talvez, aeroportos, em última instância, sejam isso mesmo: território internacional, comum a todas nacionalidades.
Foram 17 (dezessete) longas horas de viagem. Ainda em GRU, conheci um casal de brasileiros que também estavam indo para o Cairo, mas nossas poltronas eram muito longe uma das outras, logo perdemos contato. Só tornei a vê-los na fila para compra do visto de turismo, já no Cairo.
Entrei no avião e só pensava em uma coisa: preciso dormir, meu Deus do céu! E foi exatamente o que fiz. Dormi por cerca de 2 (duas) horas até que fui acordada para o café da manhã por uma aeromoça turca que parecia uma pintura de tão bonita. Ela falava um inglês estranho, rápido demais para mim. Logo me dei conta que deveria esquecer o português, agora era para valer, e, tudo ótimo, pois estava mesmo com fome.
Ao abrir a embalagem da comida, me deparei com um prato de salmão com batatas e arroz, acompanhado por um mousse de chocolate com tâmaras. Meu primeiro pensamento foi: ué, isso é almoço? As 7h30min da manhã?! Será que as refeições são baseadas no horário de Istambul (6 horas a nossa frente)? Mais estranho ainda foi quando também ganhei um mini pão francês como acompanhamento da refeição. Ok, ok, Shawanna. Mente aberta. Come logo isso e volta a dormir.
Entre um cochilo e um ou dois filmes, quando olhei o temporizador da viagem, já havia se passado mais da metade do trajeto. Era fim de tarde, o avião sobrevoava a Argélia e foi a primeira vez que eu resolvi abrir a janela para dar uma espiada.
O sol estava se pondo, e talvez eu nunca esqueça aquela visão do deserto. Eu estava hipnotizada, maravilhada, sorrindo sozinha olhando aquela paisagem pela janela do avião... Até que minha ficha caiu finalmente, meu corpo se eletrizou e fiquei em choque. Eu estava muito longe do Brasil! Mil pensamentos rondavam minha mente: “você é louca, Shawanna”; “vai dar tudo errado”; “você vai se perder no Egito ou virar noticia internacional”.
Fechei a janela. Voltar não era uma opção. Segura na mão de Deus e vai, garota.

Chegar em Istambul e procurar sinal de wi-fi foi o suficiente para ficar empolgada e me achar super adulta e experiente. Parei em uma cafeteria e avisei a todos que havia chegado bem naquela primeira parte da trip. Em quatro horas, estaria no Cairo.
Nesse curto tempo, fiz amizade com um senhor do Equador, Byron, ele também ia turistar pelo Egito. Só nos separamos no aeroporto do Cairo. Peguei seu número de WhatsApp e prometi que ligaria para fazermos algum passeio juntos, não liguei. Aqueles dias eram meus.
Cheguei ao Aeroporto do Cairo as 3h da manhã, do dia 25 de janeiro de 2019, fuso horário do Egito, 5 (cinco) horas a frente de Brasília.
Não tive problemas com a emigração, comprei meu visto, troquei alguns dólares por libras egípcias, sai do aeroporto já com um chip de uma operadora egípcia e com internet liberada, enviando muitas mensagens para todos no Brasil, avisando que estava viva.
Fazia um frio de 14 (catorze) graus naquela madrugada de sexta-feira, e assim que ultrapassei o portão de saída, não tive como não parar para colocar meu blusão azul, que até aquele momento da viagem ainda não havia saído da minha cintura.
Olhei ao redor, e vi o movimento de pessoas saindo e chegando do aeroporto, aguardando ou recebendo alguém que acabara de chegar naquele país mais antigo do que a minha noção de antiguidade.
Segundos depois conheci Fadi, o egípcio que seria minha voz e me conduziria naqueles dias de imersão no Cairo.

Quer saber um pouco mais sobre essa viagem incrível? Segue a @agarotaviajante no Instagram e corre nos meus stories fixados no perfil para visualizar cada passeio que eu fiz por lá!